PRPGP

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Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa

UEPB inicia implantação do Programa de Pesquisa e Extensão Observatório do Feminicídio na Paraíba

30 de maio de 2019

O crescimento no número de assassinatos de mulheres no Brasil, fato que também reflete uma realidade do Estado da Paraíba, tem mobilizado várias instituições a pensarem soluções para o enfrentamento desse problema. Dessa forma, a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), através da Comissão de Direitos Humanos da Instituição, deu início a preparação do Programa de Pesquisa e Extensão Observatório de Feminicídio na Paraíba, que tem como objetivo desenvolver várias atividades que dialoguem com essa temática.

O cenário é tão preocupante que, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2017 foram vítimas de feminicídio no Brasil 1.047 mulheres, enquanto em 2018 esse número aumentou para 1.173 crimes dessa natureza. Na Paraíba foram registrados 74 assassinatos de mulheres pela condição do sexo feminino em 2017 e 77 assassinatos em 2018. Para tentar mudar essa realidade, a criação do Observatório do Feminicídio será uma importante ferramenta contra esse tipo de crime, pois trabalhará em diversas frentes de combate a um problema real da sociedade brasileira.

Segundo o professor Flávio Romero, vice-reitor da UEPB, “a partir da criação da Comissão de Direitos Humanos da UEPB, temos tomado algumas iniciativas no campo institucional alusivo a temáticas que dialogam diretamente com os Direitos Humanos. E o que chama atenção nesses tempos é o crescimento de crimes de feminicídio, não só na Paraíba, mas em todo o Brasil. A partir disso, surgiu a possibilidade de trabalhar o perfil do agressor e das vítimas de feminicídio na Paraíba. Nossa ideia é ter um braço desse programa, que seria a pesquisa propriamente dita, definindo esses perfis, e um outro braço para um trabalho de extensão em que houvesse uma formação entre todos os envolvidos na proposta”.

Como primeiro passo para a criação do Observatório do Feminicídio na Paraíba, o vice-reitor recebeu, nesta quarta-feira (29), em seu gabinete, a promotora Elaine Alencar, coordenadora do Centro de Apoio à Cidadania do Ministério Público da Paraíba (MPPB), para dialogar sobre a formação de uma parceria entre instituições engajadas na luta contra o feminicídio. “Fizemos contato com o Ministério Público, no sentido de criar uma parceria e ainda convidar outras instituições para atuarem nesse Observatório do Feminicídio na Paraíba, para que possamos envolver alunos, pesquisadores, pessoas da sociedade civil e possamos dar uma resposta à sociedade de forma mais propositiva”, destacou Flávio.

Se o alto número de mulheres mortas na Paraíba durante 2017 e 2018 chama atenção, a promotora Elaine Alencar demonstra preocupação na manutenção desse cenário também em 2019. A Secretaria de Segurança e Defesa Social da Paraíba (Seds) apontou que, de janeiro a março, quatro crimes com características de feminicídio foram confirmados no Estado e que somente no mês de abril esse tipo de crime atingiu a marca de seis mortes. “Com o Observatório do Feminicídio poderemos ter um banco de dados acerca de crimes violentos contra as mulheres ocorridos na Paraíba. Essa parceria com a academia é essencial, principalmente pela UEPB ter uma qualidade de trabalhos muito grande, além de um potencial de alcance em todas as regiões da Paraíba”, disse.

Como a Universidade Estadual da Paraíba possui oito câmpus espalhados pelo Estado, a atuação do Observatório do Feminicídio inciaria suas atividades nessas cidades onde a Instituição está presente fisicamente. Ainda segundo o professor Flávio Romero, a integração das atividades de pesquisa, através da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP), além da extensão, com a Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), possibilitará a participação de vários pesquisadores, professores e alunos da Universidade com trabalhos em diversas frentes de atuação.

“Nossa proposta é inserir nossos alunos e professores, através dessas pró-reitorias, para trabalharmos a pesquisa, por exemplo, em diversas frentes e temáticas como empoderamento da mulher, a discussão de gênero, do machismo, tudo isso em diversos espaços predominantemente femininos. Já na extensão podemos atuar nos Clubes de Mães, em Sociedades de Amigos do Bairro (SABs) e outros locais, através de um trabalho motivador e que vem em um momento oportuno do país”, acrescentou o vice-reitor.

Também participaram da reunião para a criação do Observatório do Feminicídio na Paraíba a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Maria José Lima; a pró-reitora adjunta de Extensão, Socorro Barbosa; e o coordenador geral de pesquisa, professor Carlos Henrique Menezes. Na próxima quarta-feira (5), haverá um novo encontro para a inserção de novos parceiros e definição de outras ações desse programa pioneiro da UEPB.

Texto e fotos: Givaldo Cavalcanti