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Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa

Pesquisadora alerta sobre desordenamento de regiões metropolitanas no Estado da Paraíba

26 de abril de 2018

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A Paraíba é o estado que mais possui regiões metropolitanas no país, um total de 13, atualmente. O dado, considerado preocupante, foi exposto nesta quinta-feira (26), pela professora doutora Lívia Izabel Bezerra de Miranda, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), durante a palestra “Observatório das metrópoles”, realizada pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), no Auditório da Biblioteca Central, no Câmpus de Bodocongó.

O evento, cujo tema abordou “As metrópoles e o direito à cidade plataforma de conhecimento, inovação e ação para o desenvolvimento urbano”, teve como público-alvo a comunidade acadêmica e em geral, que foram alertadas sobre a importância do ordenamento territorial e as consequências do seu desordenamento a curto, médio e longo prazos. De acordo com a professora Lívia, durante os estudos do observatório foi constatada a forma aleatória como foram instituídas essas regiões metropolitanas no Estado, sem obedecer a critérios geográficos ou científicos, prejudicando, sobretudo, a população mais carente e necessitada de políticas públicas.

“Uma das coisas que a gente já observou é que a Paraíba tem o maior número de regiões metropolitanas institucionalizadas do Brasil. A gente tem 13, atualmente, que foram instituídas sem critério algum. Elas foram instituídas de acordo com que os políticos achavam interessante e muitas sequer se adequam a essa categoria, porque são áreas até de pequenos municípios, muitos deles ruralizados”, explicou Lívia.

O Observatório Metrópoles existe há 20 anos, mas só foi implantado na Paraíba a partir de 2017. O estudo no Estado, por enquanto, é voltado apenas para as regiões de João Pessoa e Campina Grande, as duas principais metrópoles do território. “Viemos apresentar o Observatório das Metrópoles, que é uma rede nacional que tenta articular o ensino, a pesquisa e extensão. Essa rede já existe em 15 núcleos universitários do país e também envolve instituições e organizações governamentais com o objetivo de estudar as cidades brasileiras, particularmente as metrópoles e regiões metropolitanas e os rebatimentos desse processo de urbanização nas cidades e na vida das pessoas”, ressaltou a professora Lívia Izabel.

Durante a palestra, a docente ainda apontou problemas como o acentuado número de assentamentos precários nas adjacências desses Centros e, até mesmo, a ausência de planejamento para construção de moradias através de incentivos dos programas sociais, como o Minha Casa Minha Vida, que tem ignorado os estudos, repetindo os erros do passado.

“A gente também começou a identificar muitos assentamentos precários na borda de Campina Grande e João Pessoa. Então começamos a estudar todos os programas Minha Casa Minha Vida que foram implementados na Paraíba observamos que grande parte deles foi implantada nas periferias, dificultando a vida de quem reside nos conjuntos e tem que trabalhar nas áreas centrais da cidade. Houve planejamento que repetiu os erros que a gente já conhecia nos períodos passados, a exemplo da COAB. Era uma grande crítica e acabou sendo feito do mesmo jeito, trazendo problemas para as pessoas que ocuparam esses empreendimentos”, lamentou a docente.

O Observatório Metrópoles estuda atualmente o desenvolvimento para o futuro, alertando o poder público, em parceria com instituições e organizações não governamentais, para a necessidade de inclusão das comunidades menos beneficiadas nos planejamentos. “Vemos os municípios de Campina Grande e João Pessoa sem pensar muito no seu entorno, que é um entorno que precisa da cidade para reproduzir a sua vida. Por isso tentamos provocar o poder público para fazer com que eles façam valer os estudos realizados pelo Observatório e diminuam o processo de desigualdade”, destacou.

A coordenadora do Mestrado em Desenvolvimento Regional da UEPB, professora Ângela Maria Cavalcanti Ramalho, destacou a iniciativa e o trabalho do Observatório que, na Paraíba, foi criado graças a uma iniciativa da palestrante e que agora mira parcerias com a Universidade para ampliar ainda mais esses estudos, a fim de solucionar problemas de modo sustentável.

Texto: Márcia Dias
Fotos: Paizinha Lemos