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Pró-Reitoria de Cultura

Universidade Estadual oferece Curso de Extensão com foco em Giorgio Agamben e Judith Butler

1 de Fevereiro de 2018

De 13 de março a 29 de maio, a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) promoverá o curso de extensão “Morte Impune, Luto Proibido – Vida nua e vida precária em Giorgio Agamben e Judith Butler”. As inscrições são gratuitas e ocorrerão no primeiro encontro. O curso terá 40 h/a, será sediado na Central de Integração Acadêmica (CIA), em Campina Grande, e disporá de certificado.

As preleções ocorrerão no período das 16h às 18h, às terças-feiras, com o professor Reginaldo Oliveira, idealizador da atividade. De acordo com ele, escrito em 1995, “Homo sacer: poder soberano e vida nua”, de Giorgio Agamben, sustenta a tese de que a política ocidental, desde sempre, ocupou-se de, e buscou capturar, a vida nua (Zoé), a qual se distingue da vida qualificada segundo um bem (Bios).

“A considerar as limitações de Arendt e Foucault, para os quais na política moderna o foco incide muito mais sobre a Zoé, o filósofo italiano, a fim de defender a sua tese, investe no exercício genealógico e sugere como primeiro paradigma político do ocidente o Homo Sacer, aquele que habita o limiar entre o profano e o sagrado. É assim que a vida nua adquire forma jurídica e aparenta ingressar na Bios, num processo incessante que se desloca do Direito Romano para a Declaração dos Direitos do Homem, no século XVIII, até chegar à experiência do campo e do Estado de exceção”, ressaltou.

No entanto, de acordo com o professor Reginaldo, levar em conta o Homo Sacer, capturado pelo Direito, como forma de inclusão da vida nua na vida qualificada, sugere, também, manter aquilo que o caracteriza, a saber, a vida insacrificável e impunemente matável.

“E neste momento encontra-se o paradoxo da política ocidental e a forma que assume e se consuma na política moderna: a vida nua vem a ser incluída como vida que se pode matar sem que o assassino seja responsabilizado. Também aqui reside o ponto em que a vida nua pode ser pensada ao lado de vida precária, concepção desenvolvida por Judith Butler”, destacou.

Ainda sobre Judith Butler, o docente apontou que a fim de elaborar uma ética judaica da não-violência, primeiro em “Vida Precária: o poder do luto e a violência”, de 2004, depois com “Quadros de Guerra: quando a vida é passível de luto”, de 2009, a autora parte do abismo existente entre uma definição universal da vida, que a princípio a todos inclui numa comunidade só, e as formas de fabricação da vida não passível de luto.

“Traz, portanto, para o contexto das reflexões ética e política, a condição “ontológica” da vulnerabilidade, a dependência do ânimo do outro ou a expectativa de que qualquer um pode causar dano a outro, mas também as ocasiões em que alguns grupos se tornam mais vulneráveis que outros, privados da proteção das leis e da justiça, por conseguinte, do luto. Daí, a pergunta sobre se o que Agamben articula acerca da vida nua, e as formas da sua captura na política ocidental, não coincide com os meios com os quais a “vida precária” comum a todos é reservada a alguns grupos específicos “, assinalou.

Nesta linha, para o professor, parece válido investigar se os conceitos de Agamben e Butler não viriam a convergir exatamente no ponto em que se trata em ambos da fabricação de uma vida impunemente matável e, por isto mesmo, não pode ser chorada.

“Se assim for, o problema apontado por Agamben sobre a vida nua, tem de se completar com o trabalho de fabricação da vida precária, conforme pensado pela Butler. Ou seja, não apenas o Direito cria a exceção com a qual, reiteradamente, será capturada a vida nua, como é preciso buscar as formas não jurídicas que contribuem para produzir vidas enquadradas como não-humanas, sobre as quais pensam a morte impune e o luto proibido”, finalizou.

Outras informações podem ser obtidas através do e-mail rgnaldo2015@gmail.com.